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Consórcio Intermunicipal · 26 municípios da Serra Gaúcha
O clima da Serra em números que dão para usar
Escolha um município no filtro acima e tudo nesta página passa a falar dele.
Como ler estes números
Como ler estes números. Temperatura e qualidade do ar vêm de modelo e reanálise (Open-Meteo; o índice de ar é o European AQI calculado sobre o modelo CAMS), não de estação de monitoramento instalada no município — e, sem município selecionado, são a média simples dos pontos representativos das sedes, não um valor medido em algum lugar. O aquecimento projetado é a variação em relação à base observada do próprio município, não uma temperatura absoluta simulada, e tem como referência a janela 2048–2050. Indicadores de apoio à gestão: não substituem os avisos oficiais do INMET, do CEMADEN e da Defesa Civil.
Comece por aqui
Três folhas prontas, no recorte que você escolher — para imprimir, mandar por e-mail ou anexar a um processo.
A semana do consórcio
Média das 26 sedes municipais. Passe o mouse para ler dia a dia. Temperatura e chuva ficam em painéis separados: as escalas são diferentes e sobrepô-las enganaria a leitura.
observado previsto Até — são observações (reanálise e estações, via Open-Meteo); a partir do dia seguinte é previsão de modelo numérico. Indicador de apoio à gestão: não substitui a previsão oficial do INMET, do CEMADEN ou da Defesa Civil. Dia sem medida aparece como lacuna, nunca como 0 mm.
O clima que já mudou
ERA5 · média dos 26 · observadoReanálise diária de todas as 26 sedes, agregada por ano. É a base de comparação para qualquer projeção: sem ela, o cenário de 2050 é um número sem régua.
A trajetória da temperatura, de 1995 a 2049
A linha fina é a média anual de cada ano; a grossa é a tendência que atravessa o ruído entre anos. O trecho tracejado é cenário, não medição — daí o traço diferente. O cenário aplica o aquecimento que o CMIP6 projeta (+1,43 °C) sobre a base observada de 1995–1997, e não o valor absoluto do modelo. É a correção de viés usual: cada rodada de modelo tem seu próprio nível, e o que se compara com observação é a variação. O valor cru do modelo para 2049 seria 18,31 °C.
A reta que atravessa os 30 anos da série (1995 a 2024) sobe 0,29 °C por década, com margem de 0,2 °C para mais ou para menos e aderência baixa aos pontos (r² de 0,234), ou seja, o aquecimento aparece, mas com bastante oscilação de um ano para outro. Por outro caminho de conta, comparando só as duas pontas, o primeiro ano marcou 16,91 °C e o último 18,22 °C — uma diferença que equivale a 0,45 °C por década; são medidas distintas da mesma série, e as duas estão certas. Para 2049, o cenário não estica essa reta: aplica um acréscimo de 1,43 °C do modelo CMIP6 sobre a base observada de 16,99 °C dos anos 1995–1997, chegando a 18,43 °C. Para quem planeja nos 26 municípios, isso significa dimensionar agora o que depende de calor acumulado — demanda de água e energia no verão, calendário da uva e da maçã, atendimento a idosos em dias quentes — sabendo que a variação entre anos seguidos continuará grande mesmo com a média subindo. Escrita pela Serena a partir dos números deste painel · 04/11/2026
- Tendência observada regressão linear, 30 anos
- 0,29 °C/década ± 0,2
- Variação entre as pontas 1995 → 2024
- 0,45 °C/década
- Base observada média de 1995–1997
- 16,99 °C
- Média em 2024 ano único, observado
- 18,22 °C
- Cenário em 2049 base + delta CMIP6
- 18,43 °C +1,43
- Extrapolação da reta tendência estendida a 2049
- 18,38 °C
Por que os números não batem entre si — e por que isso está certo. Os valores acima vêm de três contas diferentes sobre a mesma série, e não são versões concorrentes do mesmo número. A tendência (0,29 °C/década) é o coeficiente de uma regressão linear sobre os 30 anos, com R² = 0,234 e intervalo aproximado de 95% de ± 0,2 °C/década (±2 erros padrão): usa todos os anos e é pouco sensível a um ano atípico nas pontas. A variação entre as pontas (0,45 °C/década) usa só o primeiro e o último ano — é a conta direta, e dá maior ou menor conforme esses dois anos tenham sido quentes ou frios. A extrapolação (18,38 °C) estende a reta até 2049, o que supõe que o ritmo passado continua igual. O cenário (18,43 °C) não extrapola nada: aplica o aquecimento que o CMIP6 projeta sobre a base observada de 1995–1997. O ano de referência do cenário é 2049 (média da janela 2048–2050), e é esse o ano que vale, não 2050 redondo. Fonte do observado: reanálise ERA5 (Open-Meteo Archive); do cenário: CMIP6, modelo MRI-AGCM3-2-S. A significância estatística da tendência não é afirmação de causa.
Os extremos estão ficando mais frequentes?
Média regional de dias quentes (dias com máxima acima de 30 °C) e dias com precipitação acumulada acima de 50 mm em 24 h, ano a ano. As duas séries estão na mesma unidade — dias por ano — então dividem um eixo sem distorcer a comparação. "Dias quentes" não é onda de calor (que exige três dias seguidos acima do percentil 90 local), e "chuva acima de 50 mm" não é risco direto de inundação ou deslizamento: são contagens de frequência, não gatilhos. O critério de onda de calor com limiar local é calculado no plano de calor; a preparação para a chuva forte está no checklist de chuva intensa.
Fonte: reanálise ERA5 via Open-Meteo Archive, resolução aproximada de 25 km — é uma grade de modelo, não uma estação meteorológica no município.
Nos 26 municípios do consórcio, os dias acima de 30 °C passaram de 8,4 para 21,7 por ano entre os dez primeiros e os dez últimos anos comparados — são 13,3 dias quentes a mais a cada ano. No mesmo período, os dias com chuva acima de 50 mm em 24 horas subiram de 2,5 para 3,5 por ano, ou seja, um episódio a mais de chuva concentrada. Para quem vive na região, isso significa mais dias de calor forte em escolas, lavouras e locais de trabalho, e uma ocorrência extra por ano de volume de água capaz de sobrecarregar bueiros, estradas vicinais e encostas. Com esses números, dá para dimensionar onde priorizar sombra e ventilação em prédios públicos, como escalar equipes de atendimento em dias quentes e quais pontos de drenagem revisar antes do próximo verão. Escrita pela Serena a partir dos números deste painel · 19/09/2026
- Dias quentes média de 1995–2004
- 8,4
- Dias quentes média de 2015–2024
- 21,7 13,3
- Chuva acima de 50 mm média de 1995–2004
- 2,5
- Chuva acima de 50 mm média de 2015–2024
- 3,5 1,0
Onde agir primeiro
índice de triagemAs quatro exposições que a plataforma mede são normalizadas de 0 a 100 entre os próprios 26 municípios e somadas com peso igual. O resultado é uma posição relativa dentro do consórcio — serve para ordenar a fila de atendimento, não para dizer que um município está seguro. Peso igual é escolha declarada: sem estudo local de vulnerabilidade, qualquer outro peso seria arbitrário.
Matriz de prioridade
Exposição contra população. As linhas cortam nas medianas do consórcio. Quem está no alto à direita reúne muita exposição e muita gente.
Entre os 26 municípios do consórcio, o índice de exposição vai de 72,8 em Santa Tereza a 24,9 em Carlos Barbosa, com Paraí (68,0), São Jorge (67,7), André da Rocha (64,4) e Nova Roma do Sul (61,9) logo abaixo do topo — ou seja, vizinhos na mesma serra convivem com pressões climáticas bem diferentes quando se somam, com peso igual, o aquecimento previsto até 2050, os dias quentes e as chuvas intensas por ano e a maior estiagem registrada. Isso importa porque um plano único para o consórcio tende a sobrar em uns lugares e faltar em outros: equipes de defesa civil, pontos de abrigo em dias de calor, reservatórios e limpeza de bueiros não precisam do mesmo reforço em Carlos Barbosa e em Santa Tereza. Cinco municípios — Paraí, Veranópolis, Nova Prata, Guaporé e Antônio Prado — aparecem no grupo de agir primeiro, e outros 8 estão no grupo de alta exposição com população pequena, o que ajuda a decidir onde o consórcio entra com estrutura compartilhada em vez de esperar que cada prefeitura resolva sozinha. Escrita pela Serena a partir dos números deste painel · 19/09/2026
- Agir primeiro (triângulo) — acima da mediana nos dois eixos · 5 municípios
- Exposto e pequeno (losango) — exposição acima da mediana, população abaixo · 8
- Populoso e ameno (quadrado) — população acima da mediana, exposição abaixo · 8
- Menor pressão (círculo) — abaixo da mediana nos dois eixos · 5
Índice relativo de 0 a 100 dentro do consórcio, composto por quatro exposições. Fontes: CMIP6 MRI-AGCM3-2-S para o aquecimento projetado (janela 2048–2050); reanálise ERA5 1995–2024 para dias quentes, chuva intensa e estiagem; população estimada do IBGE. É posição relativa, não medida absoluta de risco: todos podem estar expostos e ainda assim haver um último colocado.
De onde vem a exposição de cada um
A barra é o índice; os pedaços mostram qual exposição o puxa para cima. Dois municípios podem ter o mesmo índice por motivos opostos — e a resposta de política pública para cada um é diferente.
Mesmas fontes e mesmo índice da matriz de prioridade: CMIP6 para o aquecimento projetado, reanálise ERA5 1995–2024 para dias quentes, chuva intensa e estiagem. Cada pedaço da barra é um quarto do índice.
Matriz de risco do consórcio
Os 26 municípios contra as quatro exposições, em valor bruto. A cor marca a posição relativa dentro do consórcio: quanto mais escura, mais exposto em relação aos vizinhos.
| Município | Aquecimento °C | Calor dias/ano | Chuva dias/ano | Estiagem dias | Índice | População |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Santa Tereza | 1,47 | 47,2 | 2,6 | 22,0 | 72,8 | 1.529 |
| Paraí | 1,46 | 8,8 | 3,6 | 22,0 | 68,0 | 7.362 |
| São Jorge | 1,48 | 6,5 | 3,5 | 22,0 | 67,7 | 2.976 |
| André da Rocha | 1,46 | 9,3 | 3,4 | 22,0 | 64,4 | 1.156 |
| Nova Roma do Sul | 1,43 | 15,5 | 3,1 | 23,0 | 61,9 | 3.545 |
| Coronel Pilar | 1,47 | 35,3 | 2,4 | 22,0 | 61,6 | 1.637 |
| Protásio Alves | 1,45 | 9,4 | 3,2 | 22,0 | 58,7 | 2.070 |
| Veranópolis | 1,44 | 15,8 | 2,9 | 23,0 | 58,7 | 24.554 |
| Nova Prata | 1,45 | 9,5 | 3,2 | 22,0 | 58,2 | 26.638 |
| Guaporé | 1,43 | 21,3 | 2,9 | 22,0 | 56,4 | 26.168 |
| Antônio Prado | 1,44 | 11,8 | 3,1 | 22,0 | 55,2 | 13.332 |
| Vila Flores | 1,43 | 7,2 | 3,3 | 22,0 | 55,2 | 3.741 |
| Pinto Bandeira | 1,43 | 13,2 | 2,8 | 23,0 | 54,5 | 2.785 |
| Nova Bassano | 1,46 | 13,3 | 2,8 | 22,0 | 54,3 | 9.867 |
| Nova Pádua | 1,44 | 8,3 | 3,1 | 22,0 | 54,2 | 2.389 |
| Nova Araçá | 1,46 | 8,6 | 2,9 | 22,0 | 53,5 | 5.098 |
| Monte Belo do Sul | 1,42 | 23,7 | 2,8 | 22,0 | 52,9 | 2.608 |
| São Marcos | 1,45 | 6,1 | 3,0 | 22,0 | 52,8 | 21.549 |
| Flores da Cunha | 1,43 | 8,9 | 3,1 | 22,0 | 51,6 | 32.015 |
| Fagundes Varela | 1,42 | 16,6 | 2,5 | 22,0 | 42,6 | 2.620 |
| Cotiporã | 1,43 | 16,2 | 2,4 | 22,0 | 42,2 | 3.926 |
| Farroupilha | 1,38 | 7,8 | 3,0 | 22,0 | 40,1 | 72.553 |
| Bento Gonçalves | 1,42 | 17,6 | 3,2 | 18,0 | 37,8 | 127.980 |
| Garibaldi | 1,4 | 16,5 | 3,2 | 18,0 | 33,0 | 35.563 |
| Boa Vista do Sul | 1,34 | 20,3 | 2,5 | 22,0 | 31,8 | 2.815 |
| Carlos Barbosa | 1,39 | 8,5 | 3,1 | 18,0 | 24,9 | 31.586 |
Ordenado do mais exposto ao menos. Fontes: CMIP6 MRI-AGCM3-2-S para o aquecimento projetado; reanálise ERA5 1995–2024 para calor, chuva intensa e estiagem.
Degradação ambiental
O que este painel mede: mudança de cobertura e uso da terra nos 26 municípios, de 1985 a 2023, pelo MapBiomas (Coleção 9). A vegetação nativa recuou enquanto a área antrópica avançou. Área antrópica aqui reúne agropecuária, área urbana, silvicultura e mineração — são usos diferentes somados numa classe só, e o painel não os separa.
São números de área, não de causa. A literatura associa perda de cobertura nativa a efeitos no microclima, na regulação de chuva e na estabilidade do solo, mas este painel não mede esses efeitos nem estabelece essa relação para a Serra Gaúcha: qualquer comparação com os painéis de temperatura ou de risco é visual, não causal. "Degradação" é o nome de exibição; o conteúdo é mudança de cobertura e uso da terra, que inclui conversões sem perda de função ambiental.
Área em mil hectares (mil ha) por ano, somada nos 26 municípios. Fonte: MapBiomas Coleção 9 (cobertura e uso da terra, 1985–2023). Vegetação nativa = formações florestais e naturais não florestais; área antrópica = agropecuária, silvicultura, área urbana e mineração.
Risco de desastres
A ameaça é a frequência de chuva intensa: dias por ano com acumulado acima de 50 mm em 24 h (ERA5), medida para os 26 e atualizada sozinha. É um indicador climatológico de frequência, usado aqui para comparar municípios — não é um gatilho de alerta e não indica que vai ocorrer enxurrada, deslizamento ou inundação: o que converte chuva em desastre depende de intensidade horária, chuva antecedente, declividade, solo, drenagem e urbanização, que este índice não considera. À esquerda, a evolução no tempo: quantos dias de chuva intensa o consórcio somou a cada período. À direita, a participação por tipo de processo segundo a suscetibilidade do CPRM/SGB (2 de 26 com carta detalhada; nos demais, a ausência de carta não significa ausência de risco) — o processo que lidera aparece em destaque. Os números por município continuam na tabela completa.
Indicador de apoio à gestão. Não substitui os avisos oficiais do INMET, do CEMADEN e da Defesa Civil, e não deve ser usado como critério de acionamento.
Municípios por índice de risco maior → menor · 🛰️ = carta CPRM/SGB
Participação por tipo suscetibilidade CPRM/SGB
Índice = ameaça (chuva intensa, ERA5) × população e PIB, relativo entre os 26 · menor maior · o mapa completo continua na aba Mapa.
Prefere os números? A tabela completa dos 26 municípios — chuva intensa, ameaça, população, PIB, CPRM, pessoas sob risco e índice.
Estradas afetadas por enchentes
Incidentes em estradas e rodovias por enchente ou alto volume de chuva, com a precipitação medida no local na data. Carga inicial das cheias de maio de 2024 (marcada para revisão). Ative a camada "Estradas afetadas — cheias de 2024" no mapa para ver a localização de cada ponto.
Volume de chuva (mm) na data do incidente, por estrada. Chuva: Open-Meteo (reanálise histórica); incidentes: imprensa e órgãos oficiais (2024). Cadastro e revisão pelo painel administrativo.
Precipitação mensal por ano
Chuva acumulada por mês, um traço por ano (ERA5 · Open-Meteo).
Fonte: reanálise ERA5 (Open-Meteo Archive), ponto do município filtrado ou média do consórcio.
Balanço hídrico — ET0 × precipitação
Climatologia mensal: barras de chuva contra a linha de evapotranspiração de referência (ET0 FAO). Quando a ET0 supera a chuva, o mês tende ao déficit hídrico.
Fonte: reanálise ERA5 (Open-Meteo Archive). Valores em mm por mês.
Radiação solar
Média mensal da radiação de ondas curtas na superfície (potencial solar).
Fonte: reanálise ERA5 (Open-Meteo Archive). Valores em MJ/m² por dia.
Umidade relativa
Média mensal da umidade relativa do ar.
Fonte: reanálise ERA5 (Open-Meteo Archive), média horária por mês.
Velocidade do vento
Média mensal da velocidade máxima diária do vento a 10 m.
Fonte: reanálise ERA5 (Open-Meteo Archive). Valores em km/h.
Chuva acumulada do ano × faixa recente
Chuva somada desde 1º de janeiro (linha verde) contra a faixa recente (percentis 10–90 dos últimos dez anos) e a mediana. Acima da faixa = ano mais chuvoso que esses dez anos; abaixo = mais seco. Esta faixa não é a normal climatológica 1991–2020 da OMM, que é o período de referência padrão: é a distribuição recente, mais curta e já deslocada pelo aquecimento do próprio período.
Fonte: reanálise ERA5 (Open-Meteo Archive), ponto do município filtrado ou média do consórcio. Faixa = distribuição dos últimos ~10 anos.
Acompanhamento de déficit hídrico
Chuva menos demanda evaporativa (ET0), somada nos últimos 30 dias, contra o que foi normal para a mesma época do ano na última década. Abaixo de zero a atmosfera pediu mais água do que a chuva entregou. Isto não é umidade do solo e não pode ser lido como tal.
- Balanço dos últimos 30 dias
- — chuva − ET0, soma do período
- Balanço dos últimos 60 dias
- — mesma conta, janela mais longa
- Posição na década
- — percentil do valor de 30 dias para esta época do ano
- Dias seguidos abaixo do percentil 10
- — 14 ou mais é o critério proposto de alerta
- Meses fechados seguidos em déficit
- — mês com soma de chuva − ET0 negativa
Chuva e ET0: reanálise ERA5 via Open-Meteo Archive, ponto do município filtrado ou média do consórcio; ET0 pelo método Penman-Monteith (FAO-56). Faixa histórica: dez anos anteriores, dia a dia. Dia sem medida não entra como zero — janela com mais de dois dias sem medida aparece como "sem dados".
Os limiares ainda não estão calibrados. Percentil 20 para atenção e percentil 10 por duas semanas para alerta são a proposta do parecer técnico, não um gatilho validado: calibrar significa comparar com perda real em lavoura, e isso depende de um responsável técnico agrícola do município ou da Emater (questão Q-12 em aberto no CISGA). Para situar a ordem de grandeza: aplicados aos dez anos anteriores neste recorte, estes limiares teriam acionado o nível vermelho de 0 a 3 vezes por ano (mediana 1), com os anos de 2020 e 2021 à frente, e o âmbar em cerca de um quinto dos dias — o que é consequência aritmética de usar um percentil, não evidência de que o limiar está certo.
O que este balanço não considera. Capacidade de água disponível do solo, cultura, estágio da planta, data de plantio e irrigação ficam de fora. ET0 é demanda evaporativa — quanto a atmosfera é capaz de puxar —, e não a evapotranspiração real da lavoura, que é menor quando falta água no solo. Comparação com SPI, SPEI e com o Monitor de Secas depende de integração ainda não feita. Indicador de apoio à gestão: não substitui os avisos oficiais do INMET, do CEMADEN e da Defesa Civil, nem o laudo técnico que fundamenta decreto de emergência.
Risco climático financeiro
Frequência de chuva intensa (eixo X) × PIB exposto (eixo Y, escala log); o tamanho da bolha é a população sob risco. No alto à direita — muita ameaça e muito valor — estão os municípios de agir primeiro (em terracota).
- PIB exposto à chuva intensa
- —
- Pessoas sob risco
- —
- Agir primeiro
- —
- Agir primeiro — acima das duas medianas (frequência e PIB exposto)
- Demais municípios
- — o tamanho do marcador é a população sob risco; as tracejadas são as duas medianas do consórcio
PIB exposto = PIB municipal × ameaça relativa (dias de chuva intensa, ERA5, normalizada entre os 26). Fontes: IBGE (PIB 2021) e reanálise ERA5. Índice relativo — para triagem, não valor absoluto.
Isto é exposição, não prejuízo. O número representa exposição econômica relativa entre os 26 municípios e não corresponde a perda financeira efetiva nem a previsão de dano econômico: nada aqui estima quanto se perderia, porque isso dependeria de vulnerabilidade dos ativos, seguro, capacidade de resposta e do evento concreto — que o índice não considera. O PIB é de 2021 e a ameaça é climatológica (1995–2024): os dois recortes de tempo não coincidem. "Pessoas sob risco" é a população do município ponderada pela ameaça relativa, e a definição operacional ainda depende de validação do CISGA. Indicador de triagem para ordenar prioridade, não base para cálculo de seguro ou de provisão orçamentária.
Preparação para desastres — abrigos
Onde falta abrigo ou placa. A linha tracejada marca 100 vagas por 100 pessoas sob risco — quem passa dela tem abrigo para todos; as barras vermelhas mostram onde falta lugar.
- Pontos cadastrados
- 257
- Conferidos no local
- 0 de 257
- Com placa (sinalização)
- não levantado
- Abrigos em área de risco
- não verificado
- Abrigos abertos agora
- 0 257 sem registro
Vagas por 100 pessoas sob risco = capacidade dos abrigos publicados ÷ pessoas sob risco (mesmo número do painel "Risco de desastres") × 100. Municípios sem abrigo cadastrado aparecem como "sem dados", não como zero. A referência de leitura é a linha tracejada em 100: barra que a alcança tem vaga para todas as pessoas sob risco. Faixas: 100 ou mais (cabe todo mundo), 50 a 99 (cerca da metade) e menos de 50 (insuficiente) — a cor da barra repete essa faixa, não acrescenta informação, e o passar o mouse diz a faixa por extenso.
O que estes números não dizem. Dos 257 pontos publicados, 0 foram conferidos no local; o restante veio de cadastro inicial (inclusive candidatos extraídos do OpenStreetMap) e não é abrigo oficial confirmado. Placa, capacidade e acessibilidade têm três estados — sim, não e não levantado — e só os dois primeiros entram em porcentagem: a placa foi levantada em 0 dos 257 pontos. A marcação "em área de risco" depende da carta de suscetibilidade do CPRM/SGB, disponível para 2 dos 26 municípios deste recorte: onde não há carta o campo fica "não verificado", e a ausência de marcação não significa ausência de risco. Ponto sem registro de situação aparece como "sem informação", não como "em prontidão". Indicador de apoio à gestão — não substitui os avisos oficiais do INMET, do CEMADEN e da Defesa Civil.
Emissões por setor
Onde está a emissão dos 26 municípios em 2023. Saber qual setor domina é o que decide por onde começa um plano de mitigação — reduzir transporte num município de uso da terra não move o ponteiro.
- Emissões do consórcio ano-base 2023
- 2.274.032 t
- Por habitante emissões de 2023 ÷ população de 2025
- 4,86 t/hab
- Setor que mais pesa
- 58% Agricultura, floresta e uso do solo (AFOLU)
- Maior emissor
- Bento Gonçalves
Em t CO₂e. Base: SEEG Municípios, ano-base 2023; população do IBGE, estimativa 2025 — os dois anos são diferentes de propósito, e é por isso que o valor por habitante é uma aproximação. Quando o mesmo município tem inventário em mais de uma metodologia, entra só a mais abrangente — recortes diferentes não se somam. Setor que o inventário de um município não informa aparece como "sem dados", nunca como zero. Baixar os dados e as fontes.
Ranking de emissões
Quem emite mais, em total e por habitante. A ordem muda completamente entre as duas: município pequeno com agropecuária forte lidera por habitante e quase desaparece no total.
Em t CO₂e (total) e t CO₂e por habitante. População do IBGE.
Perfil setorial de cada município
Dois municípios podem emitir o mesmo e ter perfis opostos — um de transporte, outro de uso da terra. É o perfil, não o total, que define qual política cabe.
Em t CO₂e, empilhado por setor do protocolo GPC.
Glossário
As palavras que aparecem nos gráficos e nas fichas metodológicas. Se um termo do painel não estiver aqui, é falha nossa — avise o CISGA.
- Percentil
- Posição de um valor numa fila ordenada. O percentil 90 é o valor que só 10% das medidas superam. Serve para dizer "foi um dos dias mais quentes" sem precisar de um limiar inventado.
- P90
- Abreviação de percentil 90. Em onda de calor, o critério usual exige três dias seguidos acima do P90 local — não acima de um número fixo igual para todos.
- Anomalia
- Diferença entre o que foi medido e a média de um período de referência. Anomalia de +1 °C não significa 1 °C de temperatura: significa 1 °C acima do normal daquele período.
- ET0 (evapotranspiração de referência)
- Quanta água a atmosfera é capaz de puxar de uma superfície vegetada padrão, dado o calor, o sol, o vento e a umidade. É demanda da atmosfera, não o consumo real de uma lavoura. Cálculo Penman-Monteith (FAO-56).
- Faixa recente
- Intervalo entre os percentis 10 e 90 dos últimos anos disponíveis — tipicamente dez. É referência de comparação, e não é a normal climatológica.
- Normal climatológica
- Média de 30 anos definida pela Organização Meteorológica Mundial; a vigente é 1991–2020. Quando o painel não usa esses 30 anos, ele diz qual período usou.
- Reanálise
- Reconstrução do passado do tempo feita por modelo alimentado com as observações disponíveis. Cobre lugares sem estação, mas o valor é de uma célula de grade (cerca de 25 km no ERA5), não a medida de um ponto do município.
- Cenário
- O que um modelo projeta se um determinado caminho de emissões se confirmar. Não é previsão: previsão tem data e prazo curto, cenário tem hipótese.
- Tendência por década
- Inclinação da reta ajustada a todos os anos da série, expressa por década. É diferente de subtrair o último ano do primeiro — essa conta usa só duas pontas e ignora o que houve no meio.
- R² e intervalo de 95%
- O R² diz quanto da variação ano a ano a reta explica (0 a 1); o intervalo diz dentro de que faixa a inclinação provavelmente está. Tendência com R² baixo e intervalo largo existe, mas não autoriza número com uma casa decimal.
- Índice relativo (0 a 100)
- Posição dentro deste grupo de 26 municípios: 0 é o menor valor observado entre eles e 100 o maior. Não é porcentagem, não é nota e não é risco absoluto.
- Mediana e quadrante
- A mediana parte o grupo ao meio: metade acima, metade abaixo. Cruzando as medianas de dois eixos formam-se quatro quadrantes — o jeito de dizer "muita exposição e muita gente" sem arbitrar um limiar.
- "Sem dados" não é zero
- Lacuna significa que a medida não existe ou a fonte não respondeu. Zero é uma afirmação: não choveu, não houve emissão. O painel nunca troca um pelo outro — onde falta medida, o gráfico mostra falha, não uma linha no chão.
- Três estados (sim, não, não levantado)
- No cadastro de pontos de apoio, "não levantado" é informação: ninguém conferiu ainda. Só sim e não entram nas porcentagens, e o painel diz sobre quantos pontos a porcentagem foi calculada.